segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Explicações... explicações?

Será que precisa?


Foi o que eu me perguntei ao decidir reler minha hq "REVOLTA!" após dois anos desde a publicação do primeiro capítulo, em Outubro de 2012. Reli pronto a fazer uma autocrítica. E publicar todas as minhas impressões sobre o que eu mesmo escrevi e desenhei, mas...


Todo o emaranhado de situações e personagens e citações mostrados na hq são cheios de tantas referências diferentes, tudo sempre voltado à trama ficcional, ainda que deliberadamente inspiradas em fatos reais... Bom, nem mesmo eu poderia explicar em um texto tudo o que está no livro. Simplesmente porque ele foi feito para ser lido, não explicado.


Claro que ele pode ser (e foi!) e (será?) re-interpretado à moda do leitor/a, principalmente quando este tomar como símbolos cada pequeno aspecto da trama, dos personagens ou das imagens e textos.


No fim das contas, o aspecto político inerente a qualquer produto artístico ou obra de arte acaba por tomar conta da cena e então foi-se: está rotulado!


Eu poderia então, por conta disso, explicar alguns aspectos para tentar retirar ou mudar um pouco esse rótulo, já que até o título remete a alguns atuais grupos que acabam por reunir gente boa mas também gente estranha, assim como TODO e QUALQUER grupo seja lá do que for. Mas não, eu evito fazer parte de grupos, bem como não vou explicar cada traço que desenhei ou cada letra que coloquei nos balões de tantos personagens. A HQ é auto-explicativa, mas exige leitura, exige abertura de sentimento, de reflexão.


E além disso, trata-se de uma ficção. E como TODA ficção, tem um pé na realidade, às vezes até uma perna inteira. Porém, antes de uma apologia a qualquer coisa, meu intuito sempre foi, e acabou por se afirmar nesta obra, um tipo de exorcismo com relação a alguns fatos e idéias, para que num momento seguinte possa haver uma ressaca desconstrutiva e construtiva. Não seria essa a liberdade que a arte deve sempre ter?


Se eu me senti um pouco excluído de certos grupos de leitores (e colegas?) por tocar em alguns pontos sensíveis, digo que prefiro esse tipo de censura do que uma censura governamental.


“REVOLTA!” é uma obra independente de qualquer partido ou ideologia política. É uma história que conta a vida de personagens. Sua diferença está em causar desconforto a leitores de várias classes sociais e não conforto a algumas ou a apenas uma, como alguns pedem, imploram raivosos.


Se meu intuito fosse apenas causar conforto ao leitor, eu deveria então aproveitar esse texto para pedir algumas desculpas a leitores que podem enxergar suas respectivas posições sociais desrespeitadas, mas o fato é que confortar não foi meu intuito NESTE projeto.  


Para ler essa “REVOLTA!” até o fim, há de se ter paciência, é verdade, mas um pouco de coragem e despreendimento também é necessário.


Quando eu terminei minha leitura de mim mesmo, neste aniversário de dois anos da publicação do primeiro capítulo, me preocupei um pouco, me senti um pouco desconfortável, sorri um pouco, fiquei meio aliviado, fui dar uma corrida no quarteirão, tive vontade de ouvir outras pessoas que me dissessem coisas contrárias, achei algo que não gostei, outro algo que gostei bastante, fiz amor, tomei uma cerveja, pensei em ir no cinema, fiz um pouco de nada.


Espero que você sinta algo depois de ler também.


“REVOLTA!” foi digital, foi impresso, virou teatro (CenaHQ), virou arte urbana, ganhou exposição (Gibicon), inspirou poemas, ganhou prêmios (Cubo de Ouro), foi indicado a outros (HQmix), ganhou críticas, gerou mal-entendidos, gerou amizades.


Não posso reclamar.

Um grande abraço, e que a revolta não anule a PAZ.

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